Oficina de Restauração e Pátio - São Paulo

Foto Cortesia Fernando Rebelo

 

A Oficina de Restauração da ABPF Regional São Paulo iniciou seus trabalhos em 1994. Os carros, vagões e locomotivas são restaurados tanto quanto em seu componente estético quanto em suas partes mecânica e estrutural, sempre adotando-se como norma a restauração mais apurada e fiel possível, aliada à segurança que o material rodante oferecerá quando restaurado. Considerando-se que todo o trabalho é feito por voluntários, pessoas que estão dando o dia para restaurar um carro, e que vêm quando estão disponíveis, nas folgas de seu trabalho, a capacidade das oficinas de restauro é de um carro por vez, e em ritmo lento. Isso é compensado e deve ser levado em conta no aspecto do custo da restauração, porque de outra forma o custo de cada restauro seria de pelo menos o dobro. Uma restauração disponibiliza um carro ou locomotiva para funcionar por seis, sete anos, sem nova parada, apenas com manutenção. E dependendo da forma de utilização e de abrigo, o material restaurado poderá se manter por décadas com manutenções e restaurações de relativo baixo custo. A Oficina de Restauração também proporciona a reciclagem de madeira refugada cortando-a em pallets para ser usada na locomotiva que estiver servindo ao passeio de Maria-Fumaça no Memorial do Imigrante, produzindo assim seu próprio combustível.

A ABPF Regional São Paulo sempre está em busca de recursos para possibilitar as restaurações, e empreende campanhas junto à empresas nesse sentido porque as empresas, em geral, não se sensibilizam com esse pedido de apoio, talvez pelo retorno lento do investimento, mas, curiosamente, vêem sempre boas possibilidade de parcerias quando os carros já se encontram restaurados. O mesmo se dá com a mídia, que usa constantemente nosso material restaurado para publicidade ou ambientação de novelas e filmes, uma vez que o acervo da ABPF Regional São Paulo é bastante variado, mas não se prontifica pela sua restauração.

O material rodante em restauração ou depositado no Pátio de São Paulo da ABPF Regional São Paulo goza do benefício de ser acomodado em parte nos baixos do viaduto Alcântara Machado, o que, ao protegê-lo do sol e das intempéries, confere-lhe uma sobrevida muito maior na espera do restauro ou mesmo no estacionamento. A Oficina de Restauração, o acervo em restauro e o acervo estacionado em breve poderão estar sendo regularmente percorridos em visitas monitoradas. E, a seu tempo, os carros, vagões e locomotivas estarão expostos, quer na Oficina de Restauração e Pátio de São Paulo, quer no Pátio do Museu Ferroviário, em Paranapiacaba.

O associado da ABPF e o amante das ferrovias deve considerar também passeios até outras oficinas, como a da Regional de Campinas, onde se encontra o maior acervo de material rodante, com mais de 30 carros de passageiros e 22 locomotivas, bem como a da Regional de Santa Catarina, com 39 carros de passageiros e 4 locomotivas. Cada Regional tem sua oficina e trabalha com seus próprios recursos.

Restauram-se na Oficina de Restauração da ABPF Regional São Paulo, carros, vagões e locomotivas quer de madeira, quer ferro ou de aço, movidas a lenha, carvão, óleo diesel ou elétricas, tanto na parte útil quanto na estrutura e parte mecânica. O restauro de carros de madeira é muito difícil - o restauro procura respeitar todas as características do carro, o tipo de madeira, sua cor, as dimensões das ripas, e isso demanda muito tempo e torna o trabalho muito caro. A extinção de espécies, a regulamentação no uso salvaguardando espécies em extinção, o fim das importações de alguns tipos de madeiras, como o pinho-de-riga, e as alterações nas dimensões dos perfis, são os principais fatores de dificuldade. Além do preço da madeira, muito mais caro hoje do que no período da fabricação desse material rodante. Uma restauração de carros de madeira, dependendo do estado de entrada, custa hoje de 30 a 50 mil reais por carro. Isso contando com que os carros venham em boas condições quanto à parte mecânica (ainda assim é feita uma revisão geral nesse quesito, especialmente quanto aos freios). Um carro que venha para restauro também com a parte mecânica muito danificada não encontrará restauração que compense.

Os carros de aço também são restaurados ao ponto do original. Normalmente os carros de aço chegam depredados, sendo o seu interior e os vidros os alvos mais atingidos pelo vandalismo. A caixa normalmente não se estraga. Os valores de uma restauração de um carro de aço inox podem girar de 100 a 150 mil reais. Restauram-se também os vidros pintados, as luminárias e os demais acessórios, cada qual a seu modo, sempre buscando a perfeição.

A ABPF Regional São Paulo, em seu Pátio, também abriga materiais e objetos de grandes dimensões pertencentes às edificações e vias ferroviárias, em especial da SPR.

 


As locomotivas



A Locomotiva Baldwin tipo Sela Nº 5, construída nos Estados Unidos em 1922, foi totalmente recuperada pela Oficina de Restauração da ABPF Regional São Paulo, com o apoio do Memorial do Imigrante, em 1998, e desde então vem prestando serviço no passeio de Maria Fumaça aos domingos e feriados.

A Locomotiva
Baldwin tipo Pacific Nº 353, a Velha Senhora, americana, é um destaque do Museu. É atualmente a maior locomotiva a carvão do Brasil, com 140 toneladas de peso sem carga - com água (16 mil litros no total) e lenha ou carvão aumentaria para prováveis 165 toneladas - capaz de produzir 220 libras por polegada quadrada e 100 km/h de velocidade de cruzeiro, fazia Rio-São Paulo, como Expresso Cruzeiro do Sul, em apenas 8h de viagem, com 4 paradas para abastecimento e troca de maquinistas. Com rodas enormes, de 1,70 m de diâmetro, é uma locomotiva para velocidade, com um diferencial em relação às demais locomotivas: um terceiro cilindro entre as rodas, girando um virabrequim, como uma terceira roda. E todos os seus comandos são assistidos à vapor, como se fossem comandos hidráulicos, com um esforço mínimo do maquinista.

Atualmente a 353 produz apenas 150 libras de pressão por estar apresentando um problema de vazamento em seus tubos. Quando foi recebida, 16 tubos (de um total de aproximadamente 140) já estavam tamponados, num processo que retira da função tubos com vazamento, mas esse procedimento reduz a potência da máquina, de modo que se os atuais tubos com defeito fossem tamponados também, a redução total da potência poderia chegar a 20%, o que não é desejado. Por isso todos os tubos serão substituídos na própria oficina. Para isso se está procurando patrocínio, porque só de tubos serão gastos 40 mil reais, mas ao mexer-se nos tubos mexe-se também no cinzeiro, superaquecedor, serpentina, etc., totalizando 80 mil reais.

A parte mecânica está perfeita, molas, suspensão, freios, tudo ok. Seria ideal o patrocínio de uma companhia aérea que hoje faça a rota Rio-São Paulo, uma vez que o glamour dessa viagem de avião já foi da Velha Senhora um dia...

A Locomotiva Nº 10 SPR, Sharp & Stewart, de 1867, está restaurada e funcionando perfeitamente. Esta locomotiva, juntamente com o Carro de Passageiros Nº 1 e o vagãozinho de carga formam uma composição original, que chegou junta da Inglaterra. O conjunto serve aos passeios no Memorial do Imigrante e pode se deslocar para servir a eventos... Provavelmente estarão no Festival de Inverno de Paranapiacaba, oferecendo um passeio no plano. Esta locomotiva tracionava exatamente ali, em Paranapiacaba, e é a terceira locomotiva mais antiga em operação no Brasil. Atualmente em operação no Trem Histórico Cultural do Museu Ferroviário de Paranapiacaba.

A Locomotiva Berkshire Nº 85escocesa de 1912, uma 2-8-4T, boa de carga e passageiros, trabalhou até a década de 40 na linha Santos a Jundiaí. Levava dois tanques laterais, com óleo e água, daí a sua aparência. Sofre pela retirada de suas braçagens, ocorrido numa espécie de "assassinato". Em algum momento de sua guarda na Lapa, alguém deve ter tido a necessidade de deslocá-la, e ela estava parada engatada, fora de ponto morto. Logo, ao ser rebocada, arrastou rodas. Então, ao invés de se retirar as braçagens, cortaram-nas com maçarico. Sua recuperação não é impossível, mas cara (100 mil) e complicada. Está no aguardo de patrocíno para seu restauro.

A Locomotiva Elétrica V8 GE Nº 6371, americana, é de 1938 e parou de funcionar há pouco tempo, esteve em Jundiaí, passou pela Lapa, e está completa. Precisa de revisão nas partes elétrica e mecânica e pintura epóxi, que custariam por volta de 150 mil reais. Esta máquina bateu recorde de velocidade em SP, 120km/h, entre São Paulo e Araraquara.

Locomotiva Elétrica Box,
da General Eletric, americana, pertence à primeira série da eletrificação da Companhia Paulista no Brasil. Está completa, apenas com os motores guardados à parte, totalmente pronta e restaurada, bastando para funcionar apenas que lhe sejam instalados os motores.

A Locomotiva Nº 15, de 1862, a segunda mais antiga do Brasil, encontra-se no Museu Ferroviário, em Paranapiacaba, em muito boas condições, e estará em breve sendo restaurada, ou em nossa Oficina de Restauração ou na oficina de Sorocaba. A título de informação, a locomotiva mais antiga do Brasil é a Baronesa, de 1852, e encontra-s
e no Museu de Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro.

 


Os carros de madeira


O Carro de Segunda Classe Nº 288 foi reconstruído praticamente inteiro, tendo sido recebido com apenas a parte mecânica funcionando. O carro 289 ainda está no estado em que chegou. Carros de 1900, que serviram, depois de passageiros, como os primeiros trens de subúrbio de São Paulo.Os bancos de madeira do Carro de Segunda Classe, por exemplo são feitos em pinho-de-riga. E os que estavam danificados ou queimados foram refeitos em riga novamente, a partir de batentes de portões fatiados. A parte interna, incluindo as luminárias e vidros, é restaurada também ao ponto de serem iguais aos originais.

O Carro de Bagagens e Correio, de 1914, inglês, chegou com apenas a parte de correio com teto. Da emenda em diante foi totalmente reconstituído. O Carro de Bagagens e o de Segunda Classe foram reconstituídos em três meses, na época da inauguração dos passeios de Locomotiva no Memorial do Imigrante, em maio de 98.

O Carro Inspeção (tipo Buffet) Nº 21 Companhia Pauista - CP, vindo das oficinas de Rio Claro, usado até 1960, é o carro que está sendo restaurado no momento, minuciosamente. Todo o seu exterior e interior estão sendo refeitos. O teto curvo, as almofadas em madeira das paredes internas, os entalhes, os vidros pintados, a parte elétrica e a parte de cozinha, tudo está sendo restaurado. O restauro permite às vezes uma descoberta interessante: quando foi removido o carpete do piso, encontrou-se o oleado original, com motivos geométricos, que ficou escondido por décadas. Lamentavelmente seu estado pode comprometer sua permanência, mas os registros foram feitos.

O Carro Inspeção 21 andará junto do Carro 19, Reservado (Carro Reservado ou Fúnebre, modificado após acidente), de 1920, americano, mas mais luxuoso, com lindas poltronas reclináveis. O Carro Inspeção conta com uma geladeira Frigidaire de motor de correia, que foi montada no carro antes dele ser fechado, ela não passa pelas portas e janelas. Há um fogão industrial à gás, pia e cuba em aço inox e armários em muito bom estado. Sua parte mecânica foi revisada e está ótima. Serão colocados nos armários inferiores externos baterias e tambores de gás.

Carros de Administração
ou Inspeção caracterizam-se por tentar unir um trem todo em um único carro. Assim, é comum num único carro administração encontrarmos sala e/ou varanda aberta, quartos (com ou sem suíte), mesas (ou área para comer), cozinha e/ou copa. Varia de acordo com a ferrovia, principalmente no quesito "poderio econômico" da mesma. Ferrovias mais abastadas como a Paulista e a Mogiana costumavam ter Composições de Administração. Assim, o carro #21 fazia par sempre com um Dormitório de Administração, como por exemplo o #27, que está em São Paulo também. Eles não eram os únicos carros com essa configuração da Paulista, apesar de existirem carros mais simples, que reuniam realmente tudo num carro só, como o #29 que está na ABPF-Campinas, que possui sala, quarto, cozinha e banheiro (incluindo chuveiro).

A planta e relação numérica oficiais da Paulista nos indicam serem esses carros "Carros de Inspecção", portanto não resta dúvida. Além disso, na Fepasa ganhou a numeração para Carros Administração, primeiro na fase sem letras e depois AM 3601 (Administração Madeira). Colaborou Rodrigo Cunha.

O próximo a ser restaurado será o carro de Segunda Classe, Birmingham, inglês de 1908, com toda a parte de suspensão ótima. O sistema de freios foi substituído em 1946, sendo passado de vácuo para abs.

O Carro Reservado Nº 19 é um Pullman, construído na Inglaterra em 1928, carro de cauda, sem tem a passagem para outro carro, com fundo envidraçado, serve a vários usos, entre eles o de carro fúnebre, e está sendo restaurado, estando quase pronto por fora.

O Carro de Passageiros Nº 1 da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, de de 1870, é bem pequenininho, restaurado, bancos de palhinha, com banheirinho no canto, ... dizem que D Pedro II teria usado este carro também...

 


Os carros de aço


Os dois Carros de Aço-Inox do Expresso Azul, da Extinta FEPASA - Ferrovia Paulista S/A., oriundos da Estrada de Ferro Araraquara - EFA, fabricados pela Mafersa em 1962, atualmente estão cedidos/emprestados para a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM, e em operação no Exresso Turístico. Os dois carros contam com ar condicionado e têm apenas os vidros diferentes - há vidros de abrir, mas já vieram assim da FEPASA.

Carro restaurante em aço-carbono da Cia Paulista, um Pullman, Estava no projeto do Trem do Imigrante, para Santos, com ar condicionado, O restauro deste carro mais dois carros de primeira classe está orçado em 400 mil, mobiliados, com duas adaptações: embarque e 6 lugares para pessoas com dificuldades locomotoras e o carro chefe teria instalado um gerador, de modo que a composição pudesse funcionar como atração mesmo em lugares onde não houvesse disponibilidade de energia.

 


O material rodante especial


O Locobreque Nº 04 está pronto, totalmente restaurado. Funciona a óleo, mas há um porém, sua combustão exalaria uma fumaça muito poluente para os padrões atuais, então precisaria ser convertido para queima de lenha, com a modificação do tamanho da porta da caldeira, bem como seu sistema interno. No mais, braçagens, pistões, tudo está pronto. Só não tem as pinças de freio de emergência, mas elas estão disponíveis para instalação. Há mais dois locobreques guardados no pátio da Mooca, números 03 e 11, aguardando restauro, vindos de São Caetano do Sul.

O Serrabreque, de 1866, sem tração, apenas com freios, está em excelente estado. Só há dois serrabreques... este, que estava na Lapa, por isso melhor conservado, principalmente por estar menos exposto à maresia e umidade em relação ao outro, que se encontra no Museu Ferroviário, em Paranapiacaba.

O Caboose da Companhia Paulista, de 1915. Com rodas raiadas e trucagem diferente, Apenas a ser restaurado na pintura.

Carro Tanque era utilizado pela própria RRFSA para transporte de óleo fino para queima nas caldeiras de Paranapiacaba.

 

 

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